BrazilTimes Blog Claudio Gabilan Não é Branding, é Sabor Branding!
Claudio Gabilan

Não é Branding, é Sabor Branding!

Você já parou para pensar por que algumas marcas grudam na sua memória como uma música que não sai da cabeça, enquanto outras desaparecem mais rápido que stories no Instagram?

A resposta não está no logo bonito. Nem na paleta de cores perfeitamente alinhada. Está em algo que o mercado ignorou por décadas: a sensorialidade (espero que exista essa palavra).

Durante anos, branding foi tratado como um exercício de estética. Um jogo de formas, tipografias e identidades visuais que vivem apenas no campo do reconhecimento.

Marcas visualmente impecáveis, mas semanticamente vazias. Bonitas de ver, impossíveis de sentir. E aqui mora o problema que sufoca milhares de empresas: elas investem fortunas para serem vistas, mas esquecem de criar algo que seja verdadeiramente sentido.

O caso da Mansão Maromba expõe essa ferida aberta do mercado fitness. O rebrand não foi apenas uma operação de maquiagem visual. Foi uma ruptura conceitual. Em meio a um mar de marcas que falam a mesma língua… proteína, performance, resultado, shape.

Surge um slogan que parece simples, quase despretensioso:

“Sabor energético” (Sacada da PORR$@)

Duas palavras. Um território inteiro.

Pode ter sido um acidente criativo (Eu particularmente acho que foi), daqueles que nascem de uma reunião despretensiosa. Mas acidentes só funcionam quando encontram terreno estratégico fértil.

E é exatamente isso que torna esse caso tão relevante para qualquer fundador ou gestor que busca transformar sua marca em um ativo real: a capacidade de reconhecer quando algo aparentemente simples carrega uma verdade profunda sobre o que sua marca deveria ser.

Porque no final das contas, o problema da maioria das empresas não é falta de estratégia visual. É a atrofia de ativos da marca aquele processo silencioso onde sua empresa cresce, mas a marca não evolui junto. Ela fica presa em um posicionamento fraco, em processos caóticos e em uma identidade que não gera valor real.

E quando você percebe, sua marca é apenas mais uma no meio da multidão, incapaz de atrair investidores, de justificar preços premium ou de construir um legado que perdure.

Vou te mostrar como um slogan aparentemente simples revela os códigos de uma transformação que vai muito além do branding tradicional. E por que entender isso pode ser a diferença entre construir uma marca que é apenas reconhecida e construir uma marca que é verdadeiramente desejada.

O Território Sensorial que Ninguém Ocupou

Enquanto todos brigam pela cabeça do consumidor, os espertos conquistam o corpo dele.

No mercado fitness, existe uma guerra silenciosa acontecendo. Mas não é a guerra que você imagina. Não é sobre quem tem mais proteína por porção. Não é sobre qual marca patrocina mais atletas. É uma guerra pelo espaço sensorial na mente do consumidor.

E a maioria das marcas nem percebeu que essa guerra existe.

Deixa eu te explicar algo que aprendi gerenciando marcas nos últimos 17 anos: o cérebro humano não toma decisões racionais quando se trata de compra. Ele toma decisões sensoriais e depois inventa justificativas racionais para elas.

Você escolhe o iPhone não pela especificação técnica, mas porque ele parece premium quando você segura. Você compra aquele tênis Nike não pelo desempenho comprovado em laboratório, mas porque ele faz você se sentir como um atleta.

A Mansão Maromba entendeu isso de uma forma que seus concorrentes ainda não captaram. Enquanto todo mundo no mercado fitness está ocupado falando sobre resultados, eles ocuparam o território do prazer.

Pense bem. Quando foi a última vez que você viu uma marca de suplemento falar sobre sabor como um benefício principal? A maioria trata sabor como um detalhe secundário. “Ah, e também tem um gostinho legal.” Como se fosse uma concessão.

Como se admitir que algo tem gosto bom fosse diminuir sua seriedade científica.

Isso é burrice estratégica.

Vou te dar um exemplo concreto. Trabalhei com uma startup de alimentos funcionais que tinha um problema curioso. O produto era tecnicamente superior. Ingredientes orgânicos. Perfil nutricional impecável. Embalagem sustentável. Tudo certo no papel.

DESEJO: Os fundadores queriam criar a marca de referência em alimentação saudável para o público fitness, competindo diretamente com gigantes estabelecidos.

DESAFIO: Nas pesquisas de mercado, as pessoas diziam que queriam comprar o produto. Mas na hora H, escolhiam a concorrência (foda né?). Quando fizemos testes de degustação às cegas, o produto deles vencia. Mas quando as pessoas viam a embalagem e a comunicação antes de provar, a percepção mudava completamente.

Elas esperavam que tivesse gosto ruim porque toda a comunicação gritava “isso é saudável” (tradução: “isso não tem gosto de nada”).

DESFECHO: Reestruturamos toda a narrativa da marca. Paramos de pedir desculpas por ter gosto bom. Fizemos do sabor o herói da história. “Finalmente, alimentação saudável que você vai querer comer.” Mudamos as fotos de produto para mostrar texturas, cores vibrantes, aquele momento de prazer genuíno ao comer.

As vendas aumentaram 340% em oito meses. Não mudamos uma vírgula da fórmula. Mudamos apenas como as pessoas se sentiam antes de experimentar.

Isso é o que “Sabor energético” faz de forma brilhante. É uma inversão de hierarquia. Em vez de dizer “temos energia, e ah, também tem sabor”, eles dizem “temos sabor, e esse sabor é energético”. É sutil, mas é revolucionário.

Pense em como isso ressoa com a realidade do consumidor. Você já tomou aquele shake de proteína que parece areia misturada com água? Aquele gosto químico que gruda na garganta? Você engole porque “faz parte do processo” (Parece que o Walt de Breaking Bad fez pra você).

Porque “quem quer resultado tem que sofrer” (Certo?). Porque o fitness sempre foi vendido como uma jornada de sacrifício.

Mas aqui está a verdade que ninguém quer admitir: você não vai manter um hábito que te dá prazer zero. Pode funcionar por um mês, talvez dois, na base da disciplina e da força de vontade. Mas força de vontade é um recurso finito. Prazer é renovável.

A Mansão Maromba não está vendendo suplemento. Está vendendo a reconciliação entre prazer e resultado. Está dizendo: “Você não precisa escolher. Você pode ter os dois.” Talvez, eles nem sabiam que estavam fazendo isso.

Isso é ocupar um território que estava completamente vazio no mercado fitness.

Deixa eu te dar uma analogia que vai clarear isso. Imagine o mercado de suplementos como uma cidade. A maioria das marcas está construindo prédios na mesma avenida movimentada. Todos competindo pelo mesmo terreno, oferecendo essencialmente a mesma coisa com fachadas ligeiramente diferentes. “Meu prédio tem 30 andares!” “O meu tem academia no térreo!” “O meu tem vista para o parque!”

A Mansão Maromba olhou para o mapa e percebeu: existe uma avenida inteira, paralela, completamente vazia. A avenida do prazer sensorial. E eles construíram o primeiro prédio lá. Agora, quando alguém quer morar naquela avenida, só tem uma opção.

Isso é estratégia de posicionamento de verdade.

Mas tem um detalhe crucial que a maioria das pessoas não percebe. Ocupar um território sensorial não é só sobre ter um slogan bonito. É sobre construir uma arquitetura de experiência completa que reforça essa promessa em cada ponto de contato.

Pense em como a Starbucks não vende café, vende um “terceiro lugar” entre casa e trabalho. Tudo na experiência Starbucks reforça isso. O cheiro de café torrado quando você entra. As poltronas confortáveis. A música ambiente cuidadosamente selecionada. O barista escrevendo seu nome no copo. Até o tamanho confuso das bebidas (Tall, Grande, Venti) cria uma sensação de pertencimento a um clube exclusivo.

A Mansão Maromba precisa fazer o mesmo. “Sabor energético” não pode ser só um slogan. Tem que ser uma promessa que se materializa em:

  • Como o produto cheira quando você abre a embalagem;
  • A textura na boca;
  • O design do rótulo que comunica prazer, não laboratório;
  • O tom de voz nas redes sociais;
  • A experiência de compra no site;
  • Até o som que a embalagem faz quando você a manipula (A Coca-Cola faz isso muito bem e a Apple também).

Cada um desses pontos de contato é uma oportunidade de reforçar: “Aqui, prazer e resultado andam juntos.”

Isso me lembra de um conceito que uso muito nas minhas consultorias: Branding não é o que você diz, é o que você faz as pessoas sentirem. E sentir não é abstrato. Sentir é físico. É sensorial. É visceral.

A maioria das marcas falha porque trata branding como um exercício intelectual. Elas criam missões, visões, valores. Fazem workshops de propósito. Contratam agências para desenhar logos. E no final, têm uma marca que é linda no papel, mas vazia na experiência. Puts! como eu odeio isso de ficar no RASO!

A Mansão Maromba, intencionalmente ou não, está construindo algo diferente. Está construindo uma marca que você pode provar. E isso, meu amigo, é um ativo que vale milhões.

Eu ainda incluiria nessa construção de experiências sensoriais, um festival de música Mansão Maromba, ia ser o novo “Tardezinha”.

Porque quando você cria uma conexão sensorial verdadeira, você não está mais competindo por preço. Você não está mais na guerra das especificações técnicas. Você está em um território onde a lógica não entra. Você está no território do desejo.

E desejo, ao contrário de necessidade, não tem teto de preço.

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